Sábado, Janeiro 31, 2009
Sábado, Julho 05, 2008
Domingo, Maio 18, 2008
Te dedico essa canção
Tem gente que canta música errada porque não entende, ou então porque entende errado a letra da música. O pessoal do Virunduns é especialista nessa arte de cantar tudo errado, mas não é esse o assunto.
Eu quero falar daquelas músicas que ninguém erra a letra, mas também não entende bulhufas o significado. Eu vou me ater ao rock nacional, esse bicho estranho. E antes que os fãs de Legião Urbana queiram minha caveira, eu não vou incluir letras de cunho filosófico, só de cunho “what-fuck-is-this?”. E para evitar a fadiga, minha e dos três leitores deste blog, vou falar só dos refrões. É claro que levei em conta se o refrão tinha sentido dentro do contexto da música e se a música tinha algum contexto.
Se eu fosse fazer um ranking a música “O Astronauta de Mármore”, da banda Nenhum de Nós, receberia o prêmio Juliana Destro na categoria “Agrupamento de palavras no intuito de dizer coisa alguma”. A versão da banda gaúcha para o clássico “Starman”, do David Bowie, povoou minha imaginação infantil com seu refrão nonsense. Mesmo depois da puberdade não vi significado algum em: Sempre estar lá / E ver ele voltar / Não era mais o mesmo / Mas estava em seu lugar... / Sempre estar lá / E ver ele voltar / O tolo teme a noite / Como a noite / Vai temer o fogo... / Vou chorar sem medo / Vou lembrar do tempo / De onde eu via o mundo azul....
Em seguida, cito aqui uma banda que tem fãs tão fervorosos quanto os adeptos da religião Testemunha de Jeová. Os Engenheiros do Hawaii tem muitas músicas estranhas... e eu sei cantar boa parte delas, graças a uma tia que foi adolescente nos anos 80. Entre tantas composições estranhas, escolhi o refrão de “Terra De Gigantes”, que para mim, tem tanto significado quanto uma missa rezada em latim: Nessa terra de gigantes / Que trocam vidas por diamantes / A juventude é uma banda / Numa propaganda de refrigerantes. Aham...
Eu vou terminar com uma canção de Kiko Zambianchi, o homem de um hit só. A música “Primeiros Erros” ficou famosa na versão da banda Capital Inicial e, como as duas músicas anteriores, tocou tanto no rádio, na MTV e na casa da minha tia, que só não decorava quem não sabia português. O refrão conceitual é esse aqui: Se um dia eu pudesse ver / Meu passado inteiro / E fizesse parar de chover / Nos primeiros erros / Meu corpo viraria sol / Minha mente viraria sol / Mas só chove e chove / Chove e chove.... Bonito, né? O Kiko Zambianchi pelo menos acha.
Eu sei que vocês, três leitores deste blog, já saíram por ai cantando coisas sem sentido, então me ajudem na empreitada e me digam qual é o refrão mais profundo do rock nacional na suas singelas opiniões.
Sexta-feira, Abril 25, 2008
Clássicos que eu não quero mais ouvir (Top 5)
Clássicos são aquelas músicas que ficam para eternidade. Não importa há quantos anos essas músicas foram compostas e nem se o artista ou banda já nem existe mais. Também não importa a sua idade, os clássicos sempre chegam até você.
1 - Born To Be Wild – Steppenwolf
Humpf… esta canção foi um clássico. Agora ela é um encosto musical. Você conhece outra música do Steppenwolf? Aposto que não. Pois é... parece que a banda lançou só um single com esse maldito hino dos motoqueiros metidos a motociclistas. Eu não agüento mais, quando “Born To Be Wild” toca em algum lugar eu me retiro. A música não é ruim, longe disso, mas a banda tem outras músicas e outros CDs, pode acreditar. Para mim, a única coisa que salva é a versão dos Garotos Podres para essa canção. Sensacional!
2 – Ligth My Fire – The Doors
É o hino dos roqueiros brasileiros bêbados. Não há música que me irrite mais em local público do que essa. São mais de dois minutos de solo de teclado, seguidos por um solo de guitarra maior ainda. Juntos, eles completam os setes minutos de música, das quais apenas a palavra “Fire” é repetida por todo o público ouvinte. A música tem quatro estrofes além do refrão, mas só um trecho do dito cujo é cantado pelas pessoas. Ou seja, elas esperam cerca de cinco minutos para soltar o sonoro: “Come on baby, light my fire” e pronto, acabou. Sim, tanto o Doors quanto a música são muito importantes quando se fala de rock, mas a banda tem músicas muito melhores – como “Riders on the storm”, por exemplo - e os Djs já podem aposentar essa daí, né.
3 - Another Brick in the Wall – Pink Floyd
Aqui vale uma explicação. Refiro-me a parte dois da música, aquela que toca nas rádios e possui a famosa frase “We don´t need no education”. A mesma que o Falcão fez a versão “Ei Xica, deixa o gato em paz”. É claro que aqui também entra minha leve implicância com o rock progressivo, mas a questão é: a música tem três partes, porque repetir apenas uma tantas e tantas vezes? É outra da lista que as pessoas só cantam a frase: “Hey, teacher, leave them kids alone!”. Deixem-me em paz também, por favor.
4 – Smoke on the water – Deep Purple
Eu adoro Purple, faz parte das minhas bandas do coração. Agradeço ao Ricthie Blackmore por compor o riff de guitarra mais famoso da história do rock, mas cansei. A letra fala do Frank Zappa, a música foi composta na considerada melhor fase do Deep Purple, e tudo aquilo que uma boa discussão de boteco sobre o tema costuma ressaltar. Mas pessoal, convenhamos, com tantas músicas do Deep Purple, precisa tocar logo essa? Falta de clássico não é, talvez seja falta de criatividade.
5 – Cocaine – Eric Clapton
O cara é foda, mas essa música já deu. Primeiro que se você não usou a droga ou não estabelece um paralelo com algo que te deixa tão para baixo quanto ela, esquece. Depois, que mais uma vez, as pessoas só cantam a fatídica palavra “Cocaína”. Nem o “She dont lie, she dont lie, she dont lie” o pessoal acerta. Para mim chega de tiozinhos bêbados gritando “Cocaína” em bares de rock. Clichê demais pro meu gosto.
Domingo, Março 30, 2008
Tudo vai ser diferente
Todas as vezes que você não estava para me acordar, as manhãs pareciam mais cruéis. Quando você viajar ou tinha que sair mais cedo para o trabalho, eu acordava mal-humorada. Por algum motivo, depois de anos, passei a acordar sozinha, mas ainda sim, saber que você estava na cozinha fazendo café me deixava tranqüila.
Alguns meses depois dessa mudança de hábito, você se foi. Naquele final de semana, você adiou sua viagem a Minas Gerais para me buscar no plantão noturno. Apesar de não ser mais criança, era reconfortante saber que você estaria lá quando eu precisasse.
Nossa última conversa foi no sábado à noite... eu nem tive tempo de me despedir.
Hoje o que sobrou foi um imenso vazio. Eu sempre tenho a sensação de que você foi para uma daquelas viagens longas e que logo entrará pela porta da frente e dirá: “- Oi meninas”. Mas esta viagem está longa demais, e a sensação de você nunca vai voltar começa a fazer parte do meu dia-a-dia.
É verdade que desde que me tornei adulta, tinha a sensação de que precisava me preparar para o pior. Isso porque sua profissão era muito perigosa e eu temia que você se tornasse personagem daquelas tantas histórias tristes que você presenciou na estrada.
O caminhão era sua segunda casa, e essa longa permanência dentro dele me preocupava. Cada viagem era uma tensão e, de uns tempos para cá, eu temia que cada uma delas fosse a última. Mas não foi assim. Foi de uma maneira inesperada e banal, cujo motivo nunca vamos saber.
Sinto que podia ter lhe dito tantas coisas, mas ter você sempre ao meu lado me fez pensar que ainda havia muito tempo. Você se foi e eu nem sequer disse adeus, mas puder dizer o orgulho que sentia e agradecer por tudo que você fez por mim.
Te amo, pai.
