
Um dia eu já gostei de futebol. Foi há um tempo, quando o Palmeiras era patrocinado pela Parmalat, o Edmundo não tinha matado ninguém e o Evair tinha mullets. Eu vestia a camiseta verde e branca de listas verticais e colecionava fotos que vinham na Gazeta Esportiva, antes do Frias roubar a grana e fundar o Lance!. Acontece que para a tristeza dos meus tios, o único sobrinho que gostava de futebol era eu, uma menina. Ninguém dava muita bola quando eu queria entender como e quando acontecia um impedimento e qual era o papel do ala.
Cansei de me ignorarem, joguei a pasta fora e camiseta número 7 virou pano de chão. Passei boa parte da minha vida detestando futebol – e ainda detesto quando as pessoas agem como se fosse a coisa mais importante da face da terra ou brigam por isso. Até tentei retomar o gosto e pedi para entrar numa escolinha, mas minha mãe me mandou para o balé. Ouvi quieta por muito tempo que era um esporte de homens, aquela coisa testosterona pride. Até ontem, quando o EUA levou uma piaba do Brasil no Pan (5 x 0), conquistou a medalha de ouro e as pessoas passaram a olhar o futebol feminino diferente.
Eu sei que amanhã ninguém vai mais lembrar da Seleção, nem do significado da Marta ter colocado seus pés na calçada da fama do Maracanã, mas eu vou. Se ontem mulher jogando era absurdo, parece um grande passo hoje ter um reconhecimento mínimo. Parabéns, meninas. Chupem, machistas.

13 comentários:
Não desista do futebol não, Ju! Segundo o Mario Lago, existem dois tipos de torcedores: os do espetáculo, do amor pelo próprio futebol, e o fanático, que só fala e faz idiotices em prol de uma coisa que já nem é mais futebol. Eu abandonei o fanatismo (até porque o Corinthians tá um lixo) e tou torcendo por espetáculos. E na minha torcida vale tudo, só não pode dançar homem com homem, nem mulher com mulher.
E valeu pelo voto!!!
Ju, eu te entendo perfeitamente! É complicado mesmo continuar gostando de futebol quando seu time do coração é o Palmeiras - ele não tem nos dado muito orgulho não! rsrs
Meu pai - palmeirense fanático -, assim como seus tios, também é um tantão frustrado: teve que ensinar para as três filhas o grito da torcida!
Mas deixemos o blábláblá pra lá: a MARTA e as meninas merecem todas as reverências!
Beijos =)
Justiça seja feita, a seleção dos Estados Unidos - que é muito forte, porque lá o futebol feminino é levado a sério, ao contrário daqui - veio ao Rio com uma equipe sub-17. O que não tira o mérito do Brasil: mesmo se estivessem com o time principal, acho que as estadunidenses perderiam a final. Não de 5, mas perderiam.
E a Marta joga muito mesmo! Ah, se o meu São Paulo tivesse um camisa 10 como ela naquele meio-de-campo...
Mas o que mais gostei no post foram as revelações bombásticas: quer dizer que Juliana Destro um dia já gostou de futebol, é??? E era palmeirense??? Tô pasmo! :P
E pra terminar: o futebol é mesmo uma das coisas menos importantes do mundo. Mas está entre as coisas que eu mais amo.
:)
Beijo!
Pra variar, eu sou o único santista aqui. Eu sou o único santista em muitos lugares, já me acostumei com isso aqui no PR.
Tem muito marmanjo que detesta futebol feminino, porque com as mulheres da seleção não dá pra passar a mão na cabeça com ar superior e dizer, "tá bonitinho teu futebol, viu!". Elas jogam, jogam mesmo, e os marmanjos ficam putos por não conseguirem fazer o que elas fazem.
Eu não consigo, mas acho bonito. Como todo futebol bem jogado.
Juliana Canhestra, futebol feminino é mais chato que a sueca dos velhinhos do Canindé. É por isso que não faz sucesso.
Ah, e sonhei que você me levou num show de um astro decadente do Punk Rock. Mas, chegando lá, ele começou a tocar "I like Chopin" num teclado e várias outras músicas do gênero, e levou vaia. Só eu aplaudi, pra contrariar, e só não apanhei de todo mundo no lugar porque sou grande.
A lamentar.
Bem vamos a fatos concretos...Detectei vários erros em seu post, principalmente no trecho sobre a 'Gazeta Esportiva'.
Para quem afirma abertamente não gostar de esportes (principalmente futebol), vale a pena dar uma pesquisada antes de sair escrevendo abrobinhas por aí.
A Gazeta Esportiva nunca foi de propriedade da empresa Folha, sendo apenas impressa e distribuída pela tal. Frias presidiu sim a Fundação Cásper Líbero, mas no início dos anos 1970, portanto trinta anos antes da Gazeta acabar.
Seguindo as explicações acima, é praticamente impossível o Frias ter roubado algum dinheiro da Gazeta, principalmente pelo fato de que em sua fase derradeira ela já vinha sendo sustentada pela venda de fotos e abertura do arquivo particular para pesquisas alheias, além da assinatura para cidades do interior, onde o mercado da Gazeta Esportiva sempre foi forte.
O Lance! não é de nenhum Frias, nem tem nenhuma relação com a empresa Folha. É da Arete Editorial, do sr. Walter Mattos Júnior e Juca Kfouri (sim, ele mesmo).
Fora isso, o Lance começou no Rio quase um mês antes de entrar em circulação em São Paulo. Sim, é duro acreditar, mas o Lance é tão carioca quanto o Pão de Açúcar, os arcos da Lapa, o Eurico Miranda e o Pan-Americano.
Em São Paulo, o Lance é distribuído e imprenso pelo Estado de São Paulo, que pelo que eu me lembro bem, é rival direto da Folha e fica a quase 5 km de distância uma gráfica da outra.
Espero ter ensinado um pouco...não custa nada pesquisar antes de sair dando opiniões equivocadas. Apuração é umas das funções primordiais do jornalismo.
Obrigada pela correção "Observatório da Imprensa". Como bom jornalista, você apurou e corrigiu com a arrogância nata da profissão.
Olha que legal pessoal, agora podemos nos comunicar com um(a) "representante da imprensa", nao eh o maior barato?!
Ju, aproveitando esta oportunidade inusitada, voce poderia mudar o titulo deste post para algo como "Fale com a imprensa e seus representantes aqui!", para que pudessemos vir e elogiar esta pessoa, dizer o quanto amamos e o quanto achamos maravilhosa a eticada imprensa brasileira, que sempre nos deixa a par dos acontecimentos, sem cometer nenhum tipo de engano, nunca ocultando fatos e deturpando-os conforme necessidade de audiencia, com total imparcialidade (principalmente os nossos atuais jornalistas esportivos), sempre apurando os fatos de maneira justa e verdadeira, ensinando coisas proveitosas para a sociedade, onde nao ha preconceito e hipocrisia por parte dos profissionais e empresas de comunicacao, e que JAMAIS utiliza-se de sensacionalismo barato.
Deixo aqui um grande aperto de mao ao colega "Observatorio da Imprensa", que veio com muito boa vontade nos ajudar e demonstrou grande coragem ao vestir essa "camisa 10" da imprensa brasileira. De pessoas iguais a vc que o Brasil precisa.
E eu realmente espero que sempre tenhamos algo realmente proveitoso para apurar e aprender, como foi ensinado pelo camarada observador neste post!
É, Ju. E não escreva ABROBINHAS mesmo. Escreva ABOBRINHAS, no mínimo. Esse jornalista devia pesquisar mais sobre gastronomia antes de sair falando cenouras por aí...
bem observado!
O problema maior do companheiro aí não é nem o fato de cobrar jornalismo no blog, que por si só já é bizarro. É não sei identificar - ou pior, se identificar como "Observatório da Imprensa". Assim ele pode brincar de gente grande, mesmo que pra isso exerça um papel infantil.
Ou, como bem já disse Aristóteles: "Esse aí não relincha por absoluta falta de modéstia".
A lamentar.
encontrei o blog por acaso, gostei... Mas usar a camisa 7 do Palmeiras de Edmundo da época em que ele nos dava títulos pra pano de chão(!!!) é um pecado imperdoável.... hehehe
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