Sexta-feira, Setembro 14, 2007

E no final, quem se importa?

Uma hora depois, nada do ônibus. O ponto vai ficando cheio, o trânsito aumentando e com ele minha irritação. Enfim ele chega, lotado. Apesar de bi articulado não há espaço para mais ninguém sentar ou entrar.

Uma hora e meia depois de muito barulho, calor e aperto, chego ao destino número um. Mais 40 longos minutos e o segundo ônibus chega. Este – por enquanto – não está cheio. Sento ao lado de um senhor que me lembra muito o homem de pedra do filme “A História Sem Fim”, principalmente quando ele começar a roncar.

Quatro pontos depois o ônibus está tão cheio que minha cabeça disputa lugar com as bolsas e mochilas daqueles que entram.

Mais uma hora e meia e estou em casa. A maratona começou cedo (5h30) e acabou tarde (20h30). Estou cansada.

Levei quatro horas para voltar do trabalho. Da última vez que fiz a conta de quantas horas por dia fico dentro do transporte coletivo, descobri que passo 1 mês e meio do meu ano passeando de Mercedes. Não chorei por pura falta de modéstia.

Por que a Ivete Sangalo, a Hebe Camargo, a Regina Duarte e a Ana Maria Braga não fazem campanha para melhorar a frota do transporte público de São Paulo? Simples: a classe média não pega ônibus. Queria que o Dória Jr. tivesse um dia como o meu – que no final das contas é muito melhor do que o de muito trabalhador que mora mais longe do que eu – para ele sentir o que é estar cansado de verdade.

A cidade usa ônibus descartados pelo Rio de Janeiro – ou você que pega ônibus nunca se perguntou por que raios alguns carros têm uma placa com leis do Município do Rio de antes de 2000 grudada no teto.

Eu não quero um minuto de silêncio, quero investimento e o Kassab longe da prefeitura. Eu cansei, mas não vou chamar o Agnaldo Rayol para cantar enquanto faço cara de tédio.

7 comentários:

Fábio disse...

Ah, eu ainda não cansei, não. Apesar dos pesares, tô disposto!

E quero o Kassab longe da prefeitura e o Lula longe do Planalto.

;P

Beijo

Vives disse...

Juliana, como você reclama. Pense um pouco e faça como a Angélica: vá de táxi. E nem custa caro: uns 50 reais pra ir, mais uns 50 pra voltar, todos os dias. A Regina Duarte sempre vai de táxi. Lamentável você não pensar nisso. Humpf.

Marcela disse...

Seqüestrar o Serra e fazê-lo pegar metrô comigo na ZL às 7 da manhã durante uma semana, todos os dias, é um dos meus projetos de vida.

Leca Perrechil disse...

Tb coloquei um post sobre isso...
Um pouco menos raivoso... é pq "só" passo 3h30 no ônibus por dia...

Guz disse...

Homem de pedra foi nostálgico demais. Eu to me sentindo criança até agora.

Camis disse...

Peraí... eu achava que era classe média!!!

Gustavo disse...

Demorou pra postar alguma coisa nova aqui hein! Que falta de consideração para com ávidos leitores é essa?!